domingo, 2 de maio de 2010
As chuvas rareiam! As plantas raleiam!
As chuvas de abril arrefeceram. Para aqueles que, como nós, vivem na orla da mata, num sistema de semi-auto-sustentação (trabalhando tanto na propriedade rural quanto na cidade), já se trata de aguar a horta e certas flores sensíveis à seca. Já sinto que a roçada perdura por mais tempo do que foi até fim de março. A grama à volta da morada foi cortada há três semanas e continua baixa e aconchegante, porém sem aquele verdor que mostrava até bem poucos dias. Gosto deste choque de inverno nas plantas e em nós! Elas ficam rijas e resistentes, particularmente os kiwizeiros, videiras, caquizeiros, macieiras e pereiras. Com esse torpor de que são tomadas, adormecem a quase morrer até a primavera e depois ressurgem qual fênix com seus pomos multicores e folhagens verdejantes. Nós, por outro lado, resfriamos, gripamos, ficamos a mercê de mucos inusitados e depois nos curamos, ganhando resistência às intempéries. Eu mesmo prefiro "pegar" meus resfriados e gripes logo no começo do outono para depois passar por um inverno fortalecido e sem problemas respiratórios. Bem, pelo menos é o que sempre aconteceu desde que me chamo por "eu".
É claro que há limites para essa "relação" com os resfriados e principalmente com as gripes (particularmente estas novas formas). Se necessário for não me farei de rogado e tomarei as vacinas. Não se trata, pois, de recomendar essa minha "terapia" indiscriminadamente. Mas também é fato que se não entramos em contato com as "sujeiras" cotidianas nem sequer criamos um sistema de imunização ao meio. De novo, repito, não se trata de recomendar a sujeira, mas de permitir que a vida se dê na sua relação obrigatória de defesa e ataque, e nesse vai e vem, criar um organismo minimamente fortalecido, capaz tanto de maneabilidade quanto de resiliência... o resto é acidente; e com os acidentes ninguém pode muito, a não ser uma ou outra ação! É nesta mínima possibilidade de previsão que devemos apostar, além da aposta no fortalecimento corporal.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Semana usual!
Semana sem nada especial. As leituras que vem primeiro são ligadas ao projeto "Teatro Municipal de Pouso Alegre"; a leitura paralela é de Jacques Derrida autor de quem vale citar: "Perguntemos-nos tão somente se, sim ou não, isso que se chama psicanálise não abriria o único caminho que levaria, se não a saber, se não mesmo a pensar, essa palavra estranha e familiar 'crueldade', a pior crueldade, o sofrer por sofrer, o fazer-sofrer, o fazer-se ou deixar sofrer pelo, se se pode assim dizer, prazer do sofrimento".
Ou ainda: "Se há um discurso que poderia, hoje em dia, reivindicar a causa da crueldade psíquica como assunto próprio, este é o que se chama, de mais ou menos um século para cá, psicanálise".
Sem mais, fico aqui ruminando seus textos, mas tendo mesmo que levar a cabo minhas idéias a respeito do chamei por "memória da urbe" - memória ligada às edificações, ao casario, ao território de uma cidade. Como memória é um troço do político, da pólis, portanto, um dia deverei acertar melhor as contas com o termo inventado... pensando o político e a política. Por ora, pouco a dizer.
Ou ainda: "Se há um discurso que poderia, hoje em dia, reivindicar a causa da crueldade psíquica como assunto próprio, este é o que se chama, de mais ou menos um século para cá, psicanálise".
Sem mais, fico aqui ruminando seus textos, mas tendo mesmo que levar a cabo minhas idéias a respeito do chamei por "memória da urbe" - memória ligada às edificações, ao casario, ao território de uma cidade. Como memória é um troço do político, da pólis, portanto, um dia deverei acertar melhor as contas com o termo inventado... pensando o político e a política. Por ora, pouco a dizer.
domingo, 18 de abril de 2010
Maritacas, sabiás, bugios...
...borboletas, mamangavas e coleirinhas; são os personagens das "aventuras" de ontem e hoje. As maritacas colocam Ovídio José nosso vizinho de serra em estado de loucura: comeram parte considerável de seu milharal, que por acaso está plantado em nossas terras. Elas passam por sobre nossas cabeças aos gritos, como um bando que promove um arrastão. Se abstraio sua voracidade e penso só na algazarra destes pássaros verde-esmeralda, consigo amá-los como qualquer outro bicho da serra. O difícil é abstrair o sofrimento do Zé!
Os sabiás voltaram de sua viagem sabe lá Zeus por que paragens. O fato é que chegaram também famélicos e glutões; estamos acolhendo-os com muita banana e abacate. Afinal são quatro ou cinco e não significam muita perda; talvez seja uma injustiça reclamarmos das maritacas e acoitarmos os sabiás. Vai entender a mente humana!
Os bugios resolveram dar um espetáculo operístico neste domingo; infelizmente nenhum deles faz segunda voz ou um contraponto. Todo mundo ruge (bugios rugem?) em uníssono formando um vozerio que se pode ouvir até lá na ponte do Cervo, três quilômetros abaixo.
As borboletas, encantadas com o Chapéu Mexicano, farfalham suas asas coloridas e sugam ávidas o mel e raspam o pólen com todo o cuidado. Estão preparando-se para botar seus ovos por aí e depois gerarão as lagartas coloridas que empupadas virarão novas borboletas. Me maravilha saber que os filhos jamais conhecerão os pais. Sem Édipo, sem aprendizado, sem psicologia e elas saberão exatamente o que fazer para sorver o mel vital, fazer acasalamento e botar seus ovos.
As mamangavas a cada ano que passa dobram de quantidade; um espécie de abelha gigante, algumas negras furta-cor, outras rajadas de amarelo com preto, metem medo à primeira vista, mas se nos achegamos e deixamos que elas se acostumem conosco, as sabemos delicadas e tímidas, porém trabalhadoras incansáveis como manda o figurino dos bichinhos que tem crias para alimentar. Onde elas vivem pode-se conceder o selo de equilíbrio ambiental, pois são frágeis, apesar do tamanho e aspecto temerário. Não sobrevivem a pastos ou terras degradadas por cultivos irresponsáveis.
Finalmente, Vania tomava sol de manhã, sem perceber, embaixo de um ninhozinho de coleirinhas. Ficamos muito tempo observando a trabalheira do casal para nutrir seus filhotes ainda sem penas. Os dias vão esfriar e elas estão apressadas em fazer crescer suas crias. Dentro de alguns dias suas capinhas de penas as protegerão dos frios ventos do norte à noite e do sul durante o dia.
A propósito os canarinhos já abandonaram a casinha que construímos para eles e foram lá para as terras mais quentes dos pequenos vales. Aguardamos pacienciosos sua volta na primavera...
Os sabiás voltaram de sua viagem sabe lá Zeus por que paragens. O fato é que chegaram também famélicos e glutões; estamos acolhendo-os com muita banana e abacate. Afinal são quatro ou cinco e não significam muita perda; talvez seja uma injustiça reclamarmos das maritacas e acoitarmos os sabiás. Vai entender a mente humana!
Os bugios resolveram dar um espetáculo operístico neste domingo; infelizmente nenhum deles faz segunda voz ou um contraponto. Todo mundo ruge (bugios rugem?) em uníssono formando um vozerio que se pode ouvir até lá na ponte do Cervo, três quilômetros abaixo.
As borboletas, encantadas com o Chapéu Mexicano, farfalham suas asas coloridas e sugam ávidas o mel e raspam o pólen com todo o cuidado. Estão preparando-se para botar seus ovos por aí e depois gerarão as lagartas coloridas que empupadas virarão novas borboletas. Me maravilha saber que os filhos jamais conhecerão os pais. Sem Édipo, sem aprendizado, sem psicologia e elas saberão exatamente o que fazer para sorver o mel vital, fazer acasalamento e botar seus ovos.
As mamangavas a cada ano que passa dobram de quantidade; um espécie de abelha gigante, algumas negras furta-cor, outras rajadas de amarelo com preto, metem medo à primeira vista, mas se nos achegamos e deixamos que elas se acostumem conosco, as sabemos delicadas e tímidas, porém trabalhadoras incansáveis como manda o figurino dos bichinhos que tem crias para alimentar. Onde elas vivem pode-se conceder o selo de equilíbrio ambiental, pois são frágeis, apesar do tamanho e aspecto temerário. Não sobrevivem a pastos ou terras degradadas por cultivos irresponsáveis.
Finalmente, Vania tomava sol de manhã, sem perceber, embaixo de um ninhozinho de coleirinhas. Ficamos muito tempo observando a trabalheira do casal para nutrir seus filhotes ainda sem penas. Os dias vão esfriar e elas estão apressadas em fazer crescer suas crias. Dentro de alguns dias suas capinhas de penas as protegerão dos frios ventos do norte à noite e do sul durante o dia.
A propósito os canarinhos já abandonaram a casinha que construímos para eles e foram lá para as terras mais quentes dos pequenos vales. Aguardamos pacienciosos sua volta na primavera...
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Paisagens desta manhã; Vania e o bosque!
Depois de correr serra acima gravei um take com um amigo das redondezas. Kelly Lulu Star em quase todas as imagens! Vania preparada para um dia cheio no escritório em Pouso Alegre, posando no "jardim". Manhã fria e clara. Tentei fotografar um casal de siriemas e seu filhote, mas eles acharam por bem não deixar imagem para a posteridade. Isso não lhes demove o espírito... Ainda não consegui mudar a data e hora das imagens; fica bizarro essa imagem de outono com data de verão!
sexta-feira, 9 de abril de 2010
O frio, a infância e o outono!
O outono começou frio por aqui. Rapidamente, em três dias, foi de 22 graus a 7. Acordamos hoje, meio rijos, ainda desacostumados com o ar gelado. Mãos duras na água da torneira para fazer o café da manhã. Lá fora, às seis da manhã, o dia ressurge deslumbrante. Na madrugada parece que geou; nossa grama amarelou drasticamente!
Nem bem começou e o outono já me lembra a infância na casa de sapé, taipa e fogão a lenha nas manhãs frígidas de Apucarana; as alpargatas Roda quebrando gelo na estradinha que me conduzia à escola primária; os parcos agasalhos feitos de flanelas coloridas; o café com leite onde mergulhava o pão sem manteiga e comia com as mãos entanguidas; as calças curtas com os joelhos doloridos estalando escandalosos. Transido de frio, estudando encolhido na carteira insensível ao meu desconforto, ia desfiando letras e fazendo um rosário com elas até que acabavam por fazer sentido, sob a paciente insistência da digna Dona Lourdes.
Eu era pobre e não sabia! Mas logo essa realidade se descortinou...
Com o tempo acabei inventando outras riquezas para compensar aquela pobreza e acabei me dando conta de que além de pobres podemos viver na miséria - afetiva, física, social, moral e até, acreditem, econômica! Ou será que a última pode ser colocada em primeiro lugar na fila da existência?
domingo, 4 de abril de 2010
As águas de abril e os Cambucis!
As águas de março foram substituídas pelas de abril. O que mudou foi o vento de outono, a queda maciça das folhas da amoreira e o frio dos pingos d'água. Hoje, Vania, Chefinho, Kely, Rabicho, Gabi e eu nos embrenhamos na mata de brotos espinhentos de Sansão do Campo, tentando detê-lo de outra vez aparar o sol de inverno e prejudicar nossos abacateiros, jambeiros, jamboleiros, mangueiras e outras árvores. Isso se deu, como já descrevi em outros momentos, quando nos mudamos para Santa Catarina e não pudemos contratar um trabalhador para o serviço de roça e limpeza do pomar. De maio a agosto do ano passado relatei nossa trabalheira com a recuperação do pomar. Como já prevíamos, algumas fruteiras como o kiwi e os caquis não produziram; chegamos tarde demais. Mas, por outro lado, ainda deu tempo de hoje colher grandes abacates de mais de quilo e chuparmos as primeiras ponkãs e mexericas cariocas do ano. Foi só alegria!
No meio dessa lírica, porém extenuante atividade, Vania dá uma olhada para a serra vizinha, às minhas costas, e diz: "Dá uma olhada!" Nem precisei me virar; ouvia o barulho algo monótono da chuva pesada e densa roncando serra abaixo, esbatendo nas duras folhas das amoreiras - aquelas que despencam antes de todas - assim como nas copas cheias das centenas de jacarandás que protegem o regato a sessenta metros dali e serpeia serra abaixo indo ganhar, junto com muitas outras pequenas águas, o nome de Cervo.
Nos escondemos embaixo do Jambolão, cuja copa verde escura, tal como gigantesco guarda-chuva nos acolheu com toda sua paciência de gigante das árvores. Trabalhamos mais um pouco e colhemos abacates e os últimos cambucis da temporada. Nos despediremos deles nesta semana e só nos veremos, pelo menos para a colheita, no verão do ano que vem. Com os cambucis Vania fará mousses, bolos, licores, sucos e molhos para aves e peixes. Começa outra chuva e me despeço do cambucizeiro, prometendo no inverno carpir sua saia e chegar-lhe material orgânico. Em troca ele me prometeu todo fruto que possa consumir. Não me parece justo; dou apenas uma sobra de minhas horas para seu bem estar e ele dá tudo que sabe produzir. Antes que ele descubra essa falcatrua me adiantei e disse que é muita generosidade dele... quem sabe se eu afagar seu ego de Cambuci, elogiando suas folhas de verde rugoso e brilhante, sua copa de jardim, seu frescor e seus incomparáveis frutos agridoces, ele se sinta disposto a me ceder um pouco de seu viço e me adoce a boca nas chuvas do próximo verão.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Os bichos do mato e os selvagens da cidade!
Final de semana de Ulisses em Ítaca depois de exaustiva semana; ou de Jasão ao recuperar o velocino de ouro. Vania e eu estávamos exaustos! Deixei a roçadeira de lado e me dediquei a ler, escrever e cuidar de tarefas domésticas. Ontem, logo de manhã, para variar, corri na estrada com Kelly Lulu. Corrida curta para descanso geral e tensão mínima dos músculos. Mas começou mal! Foi sair na estrada e nem correra vinte metros já passei pelos sentimentos que apresentei na blogagem dos dias 10, 15 e 16 de janeiro de 2010, onde falei de atropelamento de bichos selvagens por motoristas tresloucados (não posso chamá-los por selvagens para não cometer uma injustiça com o sauá, o mico e outros bichos imolados no altar da religião do carro e do asfalto). Diria incivilizados; talvez seja o suficiente para me explicar.
Desta vez lá estava um gambá já adulto esmagado no meio da pista! Digamos que minha corrida perdeu o encanto, restando apenas uma sombra do que poderia ter sido. Prometi a mim mesmo que começarei uma campanha com o prefeito Adauto para começarmos uma conscientização que leve as pessoas a caminharem mais devagar por aqueles trechos onde sabidamente surgem animais selvagens. Talvez a implantação de placas indicando o perigo em trechos conhecidos pelo número de animais abatidos, tal como vi aos montes em Balneário Camboriú, Bombinhas e outras cidades litorâneas de Santa Catarina. Parece que todos os incivilizados para lá foram, a julgar pelo numero de placas fincadas na estradas vicinais avisando que aqueles locais são "povoados" por animais selvagens, pedindo que baixem a velocidade para preservá-los.
Mas será leda ilusão se acreditarmos que em Espírito Santo do Dourado não há placas por causa da civilidade de seus habitantes e dos que para lá afluem nos finais de semana (momento em que se mata mais!). Como frequento quase que diariamente a estrada, sou testemunha de manobras arriscadas de pessoas que fazem as curvas em alta velocidade ao ponto dos pneus "gritarem" na brita. "Seu" Antônio e seus filhos também testemunham isso: moram mais abaixo e entre duas curvas na via. Ouvem diariamente a insanidade dos motoristas derrapando no asfalto, indiferentes até a própria saúde. Como exemplo, um dia ouvimos um estrondo espantoso exatamente na curva acima de sua casa, a metros de onde achei mortos gambá, sauá, sagui, cobras, camambevas, urubus, caracóis etc. Tratava-se, para nossa surpresa, de um caminhão cujo motorista desceu a serra aloucado e perdeu a mão. Arrebentou cerca de arame e alguns mourões e foi parar trinta metros abaixo no pasto. Para sua sorte o pasto cerrado e pequenas árvores seguraram o veículo, minimizando os ferimentos nos corpos do motorista e do carona. Por pouco não fora uma tragédia, acrescentando-se mais uma cruz ao acervo delas à beira da estrada.
Se não fizermos alguma coisa logo e a belíssima estrada, com sua paisagem deslumbrante, servirá apenas como enfeite de cruzes melancólicas e de paisagem para memórias doloridas de sobreviventes inocentes. E não falo poeticamente aqui, de animais selvagens. Se antes me preocupava os animais, agora já me preocupa o bicho-gente!
(A data das fotos não confere, mas trata-se apenas de manejo inadequado da função "data" e "hora"; trata-se de uma câmera sem função de data e hora automática; prometo melhorar o maquinário...)
domingo, 21 de março de 2010
Sursis para uma semana cheia!
Nos preparamos para um final de semana como os últimos: cheio de tarefas domésticas e trabalho rural. Fizemos a agenda: Vania tomaria sol pela manhã, enquanto eu correria lá embaixo na estrada. Depois era lavar a casa por dentro, lavar e passar roupas. Com o combustível faria algumas horas de roçada. Afiar as lâminas da roçadeira, limpar bem o filtro de ar, colocar graxa no cardã, limpa-la com um pano especial, misturar óleo na gasolina; afiar a foice para colher bananas, a faca para desalojar brocas.
De acordo com minha máquina de prever o tempo, haveria sol a vontade; dois dias inteiros de trabalho produtivo. Mas nem bem começou a tarde de sexta feira, ainda durante o dia de trabalho, Vania foi chamada para interceder em um complicadíssimo caso de herança num bucólico sítio nas cercanias de Congonhal, pequena e bela cidade a oeste de Pouso Alegre, a caminho de Caldas e Poços. Tomamos café com bolo na casa do Dito, produtor de verduras orgânicas e apresentador da senhora cuja herança estava em questão. Decidimos, já que terminara minhas tarefas na cidade e precisava passar na universidade, que eu iria junto e de lá iríamos para Espírito Santo do Dourado. A consulta foi demorada, pois o caso era mesmo intrincado. Voltamos tarde, já ao anoitecer. Ainda a tempo de ver a fulgurante tarde de sol já caído atrás dos montes de Congonhal. "Bom sinal!" pensei. "Dia claro para amanhã!" pensei orgulhoso com meu talento de adivinhar o tempo. Só não fiquei mais feliz porque nossa manhã de sábado já estava comprometida: Vania e sua sócia voltariam até o sítio daquela senhora para continuar a consulta e eu tinha uma reunião de emergência.
Por volta de meio dia estávamos fazendo nossas compras da semana que sempre fazemos na sexta. Ao sairmos à luz do dia, uma surpresa! A luz do dia desaparecera! Olhamos para os lados de nossa casa e vimos uma massa escura como breu, compacta, enorme, se deslocando de Congonhal para Espírito Santo do Dourado! Suas laterais despencavam do céu numa bruma cinza escura; em certos trechos dava para ver a lista escura da chuva descendo das nuvens e encharcando a serra. Falei: "Ainda assim levarei a gasolina. Pode ser passageira", fazendo de conta que isso não ameaçava os planos do dia. Vania me estimula: "Vamos tentar chegar antes dela em casa! Subir a estrada de terra não será simples. Com essa tromba d'água ficará um sabão!"
Corro mais. Chegamos com os primeiros pingos pesados e frios de nuvens muito altas. Os cães não nos esperam; estavam em outra companhia: Ovídio José e dois trabalhadores que foram buscar a madeira que lhe doáramos. Chove pesado, abundantemente, de cima abaixo. A serra acima de nossa casa desaparece numa nuvem de vapor e água aos borbotões. Almoçamos, tomamos café. A chuva passa. O caminhão dos rapazes tem dificuldades com a umidade; precisam de correntes nos pneus para descer até o portão e depois até a estrada de asfalto.
Para roçar estava molhado demais; para lavar a casa seria tarde demais e faria um barreiro. A preguiça nos espreitava e resolvemos assistir tevê deitados. A tevê apagou. Ouço: "Estou exausta!" Vania se aninha num lençol. A luz se apaga. A consciência se apaga. Penso que seu desaparecimento foi por um segundo; quando me dou conta havia passado quase uma hora. Vania parecia entregue ao descanso. Isso é uma raridade!
A consciência se acende. A luz não. Ligo para a CEMIG: "Qual a previsão de volta da energia elétrica?" "Dezenove horas, senhor." Erraram. Vania tomando banho de canequinha a luz de velas: "Você não acha que essa luz é mais romântica?" Sabemos no que dá essas meias palavras, esses meios tons, esses meios olhares. Depois o lanche a luz de velas. Leio Sursis de Sartre, por algum tempo. A luz volta depois da meia noite, nos acordando num susto; olhos ardendo com a claridade.
Para meu consolo a máquina de previsão deles falha tanto quanto a minha! Agora é esperar o próximo fim de semana e acreditar que minha faculdade de adivinhar o clima tenha voltado...
sábado, 13 de março de 2010
Um amostra do outono, bloquetes na estrada e o teatro!
Ainda falta algum tempo para que se instale o outono e já experimento um vento com cara de meio termo entre inverno e verão. O dia começou com sol que não convence pela caloria e depois avança entre nuvens. A roçadeira hoje foi um fardo bem mais fácil. Além do que a a chuva escasseia e a braquiária começa a ceder. Venho descansar; tomo com Vania cerveja e limão. À sombra do pé de azeitona do ceilão ou das araucárias a temperatura despenca agradavelmente. Está se dando um sábado colorido, sem chuva e este onipresente vento outonal. Entramos. Na Band Vale ouve-se Mamas and Papas, Vinicius e outros cantadores do amor.
Agora já começo a mudar os trabalhos no sítio; voltarei a recuperar a estrada para o próximo verão, recolocando no lugar os bloquetes arrastados pelas fortes chuvas. Será necessário comprar areia e algumas peças de bloquetes para completar aqueles que estragaram e ralar para colocá-los rejuntados com grama a volta para que no verão estejam firmes o suficiente. Para isso devo captar uma água que vem do alto da serra e com ela irrigar as placas de gramas assentadas nas laterais da linha da estrada. Às vezes é trabalho para nada, porque a primeira chuva forte leva tudo para o sopé da serra. Mas conto com a sorte e alguma previsibilidade. Trata-se de elementos comuns à vida; portanto nada que me espante ou desespere. Agora a tarde continuo com minha escrita sobre o Teatro Municipal de Pouso Alegre. Para dar uma olhada no conteúdo vá para http://levileonel.blogspot.com.
Agora já começo a mudar os trabalhos no sítio; voltarei a recuperar a estrada para o próximo verão, recolocando no lugar os bloquetes arrastados pelas fortes chuvas. Será necessário comprar areia e algumas peças de bloquetes para completar aqueles que estragaram e ralar para colocá-los rejuntados com grama a volta para que no verão estejam firmes o suficiente. Para isso devo captar uma água que vem do alto da serra e com ela irrigar as placas de gramas assentadas nas laterais da linha da estrada. Às vezes é trabalho para nada, porque a primeira chuva forte leva tudo para o sopé da serra. Mas conto com a sorte e alguma previsibilidade. Trata-se de elementos comuns à vida; portanto nada que me espante ou desespere. Agora a tarde continuo com minha escrita sobre o Teatro Municipal de Pouso Alegre. Para dar uma olhada no conteúdo vá para http://levileonel.blogspot.com.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Tarde de sol na Serra do Cervo!
Sombras encompridadas, recurvas sobre as colinas lá embaixo. Culturas formando um xadrez multicor se espalham pelos quilômetros e quilômetros onde nossa vista alcança, em certos pontos contida pela serra vizinha de Santa Rita do Sapucaí. Pelos lados de Congonhal o sol ainda brilha e o céu é uma explosão fulgurante. Pouso Alegre, da qual posso somente adivinhar sua silhueta, está coberta por nuvens negras, mas duvido que chova. Os Fernandes, à esquerda, já somem na sombra de nossa serra. O Rio do Cervo desliza calmo, apesar de um pouco estropiado pela ganância dos homens...
Estava com saudades de um dia inteiro de sol franco e aberto! Agora é dormir uma noite boa de sono restaurador e me guardar para ir a São Paulo gastar energias pelas marginais e afins!
Estava com saudades de um dia inteiro de sol franco e aberto! Agora é dormir uma noite boa de sono restaurador e me guardar para ir a São Paulo gastar energias pelas marginais e afins!
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Roçar no carnaval, viver nas nuvens e o sapato preto da Gabi!
Além de roçar com foice, o que exige rudeza, velocidade, direção e ponto de impacto para seus melhores efeitos, pelo menos por três horas no sábado e três no domingo, uso uma roçadeira a gasolina. Bem mais fácil de usar, infelizmente nada pode contra ramos mais troncudos, além de uns arranhões. Então, como de costume no verão, a cada três semanas, faço a pele do imenso quintal onde nossos cães brincam, deixando grama e capim a menos de dois centímetros de altura. Como a terra é feminina (nos meus delírios infantis) imagino que estou sendo usado por ela para depilar, à flor da pele, seus tímidos pelos axilares. Suas dobras pilosas vão aparecendo ao roçar da lâmina afiada - ficando mais e mais sensual - usando como moldura o milharal ao fundo e serra acima.
Nestas alturas, a entrada da propriedade já pede que lá volte para roçar-lhe a pele de entrada, junto ao portão. É sempre assim no verão; quando termino de roçar a volta da casa lá em cima, passando pelo grande pomar, os primeiros metros da via que vai da estrada até a pequena casa, já pede meus cuidados. Isso só será exceção no inverno, quando a terra esfria, a braquiária "morre" e a grama paralisa. Mas, até lá há muito quilômetro quadrado para desenhar com decisão e arrojo. É um ir e vir sem fim!
Então, em pleno carnaval, próximo passado, me diverti nesta, como dizem os adolescentes, ralação com a terra. Além do sábado e domingo trabalhei a segunda e a terça neste flerte. Nada de amor de carnaval! Ela exige amor eterno, pelo menos enquanto eu durar!
Neste quintal roçado com esmero está Gabi com suas orelhas de descontentamento, por causa da meia preta na pata direita traseira, onde uma mosca botou-lhe seu ovo, que nestas alturas, ao curarmos seus dedos, já inchava e supurava. Para que não arrancasse o curativo e lambesse o remédio imposto, cortei uma meia de trabalho e com esparadrapo Vania fixou-a sobre o trato. Virou um sapatinho elegante, que não durou mais que uma noite, tempo suficiente, porém, para que o remédio fizesse seu efeito. Agora já está perfeitamente bem.
Nestas alturas, a entrada da propriedade já pede que lá volte para roçar-lhe a pele de entrada, junto ao portão. É sempre assim no verão; quando termino de roçar a volta da casa lá em cima, passando pelo grande pomar, os primeiros metros da via que vai da estrada até a pequena casa, já pede meus cuidados. Isso só será exceção no inverno, quando a terra esfria, a braquiária "morre" e a grama paralisa. Mas, até lá há muito quilômetro quadrado para desenhar com decisão e arrojo. É um ir e vir sem fim!
Então, em pleno carnaval, próximo passado, me diverti nesta, como dizem os adolescentes, ralação com a terra. Além do sábado e domingo trabalhei a segunda e a terça neste flerte. Nada de amor de carnaval! Ela exige amor eterno, pelo menos enquanto eu durar!
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Experiência, maravilhar-se, viver!
"Todo discurso sobre a experiência deve partir atualmente da constatação de que ela não é mais algo que ainda nos seja dado fazer. Pois, assim como foi privado da sua biografia, o homem contemporâneo foi expropriado de sua experiência: aliás, a incapacidade de fazer e transmitir experiências talvez seja um dos poucos dados certos de que disponha de si mesmo". Esta "destruição" da experiência, segundo Agamben, pode ser o resultado da banalização da vivência cotidiana onde o cidadão volta "para casa à noitinha extenuado por uma mixórdia de eventos - divertidos ou maçantes, banais ou insólitos, agradáveis ou atrozes - entretanto nenhum deles se tornou experiência".
É nisso que venho tentando meter a colher já há três décadas, quando insto as pessoas, por meio de técnicas de si advindas do Samkhya, do Zen, do Tao e das artes existenciais de cada uma destas experimentações do mundo. Portanto, se por um lado acho que Agamben cada vez mais tem razão (ele escreveu isso em 1977/8), esclareço que essa foi, e é, a batalha de muitos sistemas filosóficos indianos e orientais para que se mantenha íntegra a capacidade para fazer experiência. Centro a atenção nas práticas chamadas 'sadhana', que surgiram no período matriarcal, pré-védico e algumas técnicas aprendidas nas artes marciais chinesas, as quais ensinei entre o fim dos anos 70 e fim dos 90.
O homem de que trata o autor é o homem ocidental, e isso nos autoriza, embora não se resolva nisso, a dizer que não é a mesma realidade naquelas sociedades. Não quer dizer que não sejam atacados, neste século, pela mesma 'doença'; a globalização tem tentáculos infernais e de alcance inimaginável! Mas podemos propor, com uma margem de segurança, que seus modos de realizar sua subjetividade ainda inclui a "experiência" e é isso que venho descortinando, embora com as limitações de ser um ocidental, solapado pelo mesmo fenômeno.
O autor rebusca, de modo primoroso, a perda da autoridade advinda da experiência, uma vez que a verdadeira autoridade prescinde da indústria do comportamento ou dos manuais de auto-ajuda. Na verdade, os manuais e as técnicas de aprendizado, por mais bem intencionados que se coloquem, só fazem destruir a "experiência". No ato mesmo de treinar um comportamento, ou ensinar uma verdade, ou propor um sistema de pensamento positivo, acabam por retirar o sujeito desta incerteza criativa que é o cimento para a experiência; é o fim deste "jogado no mundo" sartriano, onde o homem pode, pelo gratuito da vida compor-se como "clareira" vivencial - experiência, pois.
Na penúltima postagem do blog http://levileonel.blogspot.com, dia 18 de fevereiro, perguntei, junto com Mathieu, personagem sartriano, como fazer para que minha vida não malogre, ou que faça algum sentido, ou que seja uma vida que faça mais que um breve alarido sobre o mundo. Creio que um bom começo é resgatar, mesmo que sem sendas demarcadas, demarcações que impossibilitam a vivência de uma "experiência". A natureza mesma desse fenômeno é a de que desdiz a aprendizagem, por isso não se dá na presença da simples técnica, embora sem a técnica jamais se dê, paradoxalmente. Uma vez Sartre propôs o termo fulguração para esse sentimento de ser clareira no mundo, ou do mundo; talvez eu devesse seguir minha investigação por aí... pela fulguração do homem como instante vivencial sem eira nem beira, e por isso mesmo, especialmente significativo...
Sobre as vivências que dirijo em SP: http://levileonel.blogspot.com
domingo, 21 de fevereiro de 2010
A insustentável leveza do ser!
Tomo emprestado o nome do filme e livro para tratar de um tema singelo, de minha perspectiva, e trágico, da perspectiva do marimbondo. É! Não enlouqueço ainda! Trata-se da longa contemplação de uma caixa de marimbondos de bunda branca que escolheram o teto de minha pequena área para construir sua descendência. Atarefados e até certo ponto meio estabanados ao aterrissar sobre sua "casa", não raro pousavam sobre as costas rajadas de seus colegas, provocando um certo agito de asas em cadeia, que acabava por afetar a todos. Esse ir e vir de cada um deles, marcado por um voo que me pareceu também, em certa medida, meio alheado, me fazia meditar se era uma estratégia qualquer, que, lamento, não pude decifrar. No meio desta meditação tenho a surpresa desagradável de ver um dos inusitados vizinhos se enroscar nas teias de uma aranha que, e isso posso assegurar, a tecera como estratégia para pegar insetos e, quem sabe, seus vizinhos belicosos. Tive ímpetos de libertá-lo, argumentando que a aranha teria outras oportunidades para seu almoço. Vacilei um pouco, pensando que não deveria me meter em assuntos de terceiros, mas decidi entrar e pegar uma cadeira para com um varinha, delicadamente, desemaranhá-lo. Sabia que não podia demorar; as aranhas que "cultivo" ali, assim como os marimbondos, são seres determinados! E não deu outra! Ao voltar lá estava a aranha a poucos milímetros de sua presa, que nestas alturas, por desespero de causa, mais se enrolara. Por instantes me vi ali pensando o que fazer. Pela segunda vez decido que salvarei o marimbondo! Mas, era tarde. A aranha, num golpe certeiro, já o aferroara (ou o enredara, não sei) e seus movimentos já eram estertores de morte. Alguns instantes menos e teria salvo sua vida. Era sua única chance e falhei enquanto pensava nos direitos da aranha, que ela também é filha-de-deus, que é gente como a gente etc. Essa é a insustentável leveza do ser, a inefável seidade da existência! E mais! Eu posso ser a próxima vítima, não da aranha, que não ousaria enrolar um almoço tão volumoso, mas das teias do acaso, que alguns chamam "sorte", "fortuna" ou "Deus".
domingo, 24 de janeiro de 2010
A estrada do tempo do onça!
Esse caminho tem mais de uma centena de anos e já foi uma via pela qual já passaram pessoas que buscavam novas fontes de ouro para garimpo; depois virou "rodovia" por meio da qual trafegavam carros de boi, caminhões e veículos de transporte de gente até as regiões vizinhas. Há pouco mais de vinte anos, construíram a estrada asfaltada para Espírito Santo do Dourado (aquela que corro a pé lá embaixo) e a que passa em frente de minha casa foi abandonada. Quando comprei este sítio, em 1994, o caminho, embora precário, estava preservado apenas até a entrada da velha casa. Daquele ano até agora venho tentando manter suas condições de rolagem a duras penas. E é disso que estou falando. De limpar a capa de terra arrastada sobre a base de pedregulho, para que os pneus se agarrem suficientemente, não nos deixando a meio caminho, no barro e na chuva.
Na noite passada mal pude dormir com dores nos ombros; Vania com dores nas costas. É claro que esta que se aproxima não será diferente. Mas valeu a pena! A estrada velha e rústica está mais transitável e nós um pouco menos ameaçados de atolar tendo que amassar barro até em casa. Afinal, as chuvas continuarão por pelo menos mais três meses...
sábado, 16 de janeiro de 2010
Para não dizerem que exagero!
Hoje resolvi correr a tarde, e lá fomos eu e Kelly. Eu a levo comigo, porque ela já conhecia esse rito de correr a pé, desde que morava em São Paulo, junto com dona Vilma, o menino Vitor e meu cunhado Valdir. Como vivi uns bons dois anos em sua casa, Kelly habituou-se a me observar na preparação para ir a rua. Mal via eu colocar sapato de corrida e calção e pronto! Começava a latir e dar pulos de alegria. Não se acalmava enquanto eu não a levava a duas praças do Jabaquara e lá corria com os outros cães, um olho neles e outro em mim. Eu corria em círculos e ela me interceptando, em linha reta. Isso criou uma paixão mútua - nós adoramos correr juntos.
Há, contudo um motivo suplementar para não levar os outros. Kelly sempre passeou em calçadas de São Paulo, por isso tem um hábito muito bem enraizado de respeitar o asfalto. Por exemplo, na estrada onde corremos, anda próximo da linha branca que divide asfalto e o meio-fio, já que não há acostamento. Já o Rabicho, o Soneca e a Gabi, são quase bichos do mato; jamais andariam na linha, sem metáfora. Isso evita acontecer o que venho vendo sistematicamente - atropelamentos dos mais variados bichos em certo trecho da estrada. Exatamente naquele que uso para correr.
Então, hoje, de novo, passei pelos sentimentos que descrevi duas postagens abaixo. Encontrei um saguí atropelado quase no mesmo lugar que encontrara o sauá. Voltou-me a indignação! Veja a delicadeza de suas formas e linhas; e também seu delicado modo de viver. Desanimado, publico as fotos de seus delicados restos... nas delicadas mãos de Vania.
Assim como a Kelly, quando vê um bichinho morto na estrada, Gabi e Rabicho traduzem nos olhares essa trágica acontescência. Posso jurar que vejo tristeza em seus olhares, tal como no meu e de Vania
Há, contudo um motivo suplementar para não levar os outros. Kelly sempre passeou em calçadas de São Paulo, por isso tem um hábito muito bem enraizado de respeitar o asfalto. Por exemplo, na estrada onde corremos, anda próximo da linha branca que divide asfalto e o meio-fio, já que não há acostamento. Já o Rabicho, o Soneca e a Gabi, são quase bichos do mato; jamais andariam na linha, sem metáfora. Isso evita acontecer o que venho vendo sistematicamente - atropelamentos dos mais variados bichos em certo trecho da estrada. Exatamente naquele que uso para correr.
Então, hoje, de novo, passei pelos sentimentos que descrevi duas postagens abaixo. Encontrei um saguí atropelado quase no mesmo lugar que encontrara o sauá. Voltou-me a indignação! Veja a delicadeza de suas formas e linhas; e também seu delicado modo de viver. Desanimado, publico as fotos de seus delicados restos... nas delicadas mãos de Vania.
Assim como a Kelly, quando vê um bichinho morto na estrada, Gabi e Rabicho traduzem nos olhares essa trágica acontescência. Posso jurar que vejo tristeza em seus olhares, tal como no meu e de Vania
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Errata, Ovídio e o Sauá!
Outro dia (10/01/10), falei apaixonadamente do guaxinim atropelado na estrada em que faço minha corrida a pé, acompanhado da fiel escudeira Kelly. De uma hora para outra, após a visita do Ovídio José, há dois dias, me vi sem o objeto da paixão! Nem acreditei quando ele, do alto de sua sabedoria escupida a ferro e fogo - ferro dos instrumentos de carpição, e fogo celeste aparado por um boné já esgarçado - me diz que o bicho morto era um Sauá! Um macaco, portanto! Fiquei ali abilolado, pensando (agora que ele dera o nome ao bicho) que só podia ser um... um... guaxinim, bolas! Puxei pela memória e vi sua cor avermelhada. Pensei: "Ah, é um filhote de guaxinim, só por isso!" Bicho sem manchas escuras aneladas no rabo e "óculos" nos olhos. Argumentei com meu umbigo: "Ah, mas a cabeça estava destruída pelas rodas de um carro e a cor não seria por que tratava-se, justamente, de um filhote?!" E o que dizer dele ser atropelado, andando na pista; macacos trafegam pelas árvores!! Bem, neste caso ali não há árvores que cubram a pista. É verdade, capitulei, o guaxinim e o macaco teriam, necessariamente, que usar o chão pra atravessar seus domínios! Aí me rendi, as evidências. O bicho era de fato um sauá, um macaco de pelo acobreado, que divide o lugar com os bugios e os macacos comuns, que o Ovídio chama por "macaco".
Mas, quanto ao resto não retiro uma vírgula! Até pelo contrário. Ao ouvir o Ovídio José, que tomou a decisão de removê-lo de lá, porque outros sauás estavam olhando-o, como se o velassem de cima das árvores, me voltou a indignação. Eu o deixara à vista para que os urubus pudessem se alimentar dele. O coração do Ovídio - não confundamos com o poeta que fez "A Arte de Amar" as mulheres - não suportou a cena - pois além de amar as mulheres, este Ovídio que vos apresento, ama a natureza..
Como já adiantava, o resto do texto não desdigo...
Mas, quanto ao resto não retiro uma vírgula! Até pelo contrário. Ao ouvir o Ovídio José, que tomou a decisão de removê-lo de lá, porque outros sauás estavam olhando-o, como se o velassem de cima das árvores, me voltou a indignação. Eu o deixara à vista para que os urubus pudessem se alimentar dele. O coração do Ovídio - não confundamos com o poeta que fez "A Arte de Amar" as mulheres - não suportou a cena - pois além de amar as mulheres, este Ovídio que vos apresento, ama a natureza..
Como já adiantava, o resto do texto não desdigo...
domingo, 10 de janeiro de 2010
O debut de Gabi Blue na vida sexual!
Estas fotos foram clicadas hoje, há pouco, depois do banho semanal da trupe. Dia ensolarado, tarde brilhante e quente! O milharal que se vê ao fundo, de repente torna-se ruidoso ao vento e verdejante como um tapete felpudo; alegre por ter arrefecida a chuva. O gramado em volta da pequena casa está aparado e as flores tipo chapéu-mexicano, são visitadas por borboletas grandes, rajadas de amarelo e preto, como se vê em uma das fotos. Tudo borbulha vida e não poderia ser diferente com nossos cães que acabaram de passar por uma experiência inédita.
Trata-se do primeiro cio de Gabi! Pois é! Aquela filhotinha cuja foto eu aparecia com ela nos braços há seis meses. Resolvemos deixar todo mundo passar por este drama - inclusive para nós, que dormimos mal com os uivos e latidos do Soneca Golden Boss e Rabicho Bicho interessados em um breve namoro. Fizemos uma grande confusão com nossas vidas nos últimos nove dias. Era um tal de prende um na tulha e outro no canil enquanto ela passeava breve (por receio de aparecesse algum vizinho inaudito), fazia seu cocô e voltava. Aí fazíamos tudo ao contrário. A noite os machos e Kelly Lulú, que nada entendia do acontecido, porque foi castrada ainda antes de sair de São Paulo, dormiam dentro de casa. Cheiro forte de cão, acordar madrugando por causa de seus hábitos caninos etc etc.
Tudo isso para que Gabi possa desenvolver-se fisicamente até uma idade o suficiente para que a castremos. Queremos evitar que aconteça de ter filhotes e termos um verdadeiro caos em nossas vidas (ainda maior que cuidar desses quatros - todos adotados em condições precárias). Imagine-se termos que achar um dono para seus filhotes! Além de doer a beça nos nossos peitos ainda há a possibilidade de serem abandonados como fora Gabi - na beira da rodovia como já bloguei em maio passado. O resultado dessa dedicação aparece neste "ensaio" fotográfico...
Guaxinins, sujeito de mercado e lixo na estrada!
Vania e eu fazemos parte desse contingente de interessados no ambiente - em deixar matas crescerem nas proporções necessárias, plantar bosques com árvores nativas e frutíferas, reservando o entorno de minas e regatos. Percebemos que há uma surda e muda diferença entre nossa atitude e a daqueles que são nascidos por aqui e que insistem em manter pastagem em encostas e beiras de rios e regatos, bem como no uso descabido de agrotóxicos, herbicidas e adubos químicos, sob o argumento míope de que só assim podem conviver com a natureza. Para se ter uma idéia do absurdo desta posição, nossas terras, que, repito, são bem recuperadas (não ainda como sonhamos, é verdade), anos após chegarmos aqui, ainda não podem produzir e manter os nutrientes suficientes para dar frutas como caquis, peras, maçãs e outras mais comuns. O que dizer de terras que são aradas por trator, atacadas por herbicidas, fogo e adubos? São terras imprestáveis, sugadas até a exaustão, que sozinhas mal produzem capim para o gado. É por isso que vejo os pastos como desertos verdes!!
Uma respiração para me justificar. Não esqueço nunca de que esse sujeito do campo é antes de tudo, e principalmente, sujeito de mercado, como eu e você - e por isso vive na contigência de explorar sem piedade a terra, para que esta lhe provenha de meios para que possa frequentar a vida civil. Esse é um ponto cego eternamente presente em nosso campo de visão. Afinal, argumentamos todos, como fará para sobreviver, senão corroendo a crosta terrestre onde vive? Boa pergunta.
Voltemos ao Guaxinim. Esse sujeito do campo, não quer o Guaxinim por aqui; alie-se a isso um tipo de gente que passa fins de semana em seus sítios nas redondezas, vindos de Pouso Alegre e mesmo de São Paulo. São deseducados, inconsequentes, cuja virulência do comportamento destrutivo inocula até o chão em que pisam. Falo disso, pensando nas dezenas de latas de cerveja e sacos de lixo que arremessam na beira das estrada, e que recolho com raiva, tentando manter a beleza deslumbrante do lugar. Esse tipo de frequentador eventual passa por aqui em alta velocidade atropelando tudo que supreende atravessando a bucólica via. Já vi de cães a cobras, de aruás (caramujo gigante) a guaxinins, destroçados por carros dirigidos loucamente. Me pergunto por que alguém dirige naquelas estradas a mais de quarenta quilômetros por hora? Onde estará indo? Relaxar nas montanhas da região? Mas por que a pressa?
Sem ingenuidade, é óbvio que acidentes acontecem e é óbvio que alguns dias estamos atrasados por acidentes vários. Mas pergunto por que o atropelamento de bichos está tão frequente?
Lembrando que quem dirige por aqui é o homem do campo e os visitantes para divertir-se e relaxar, faço um apelo às autoridades para que criem um projeto de educaçao ambiental, sugerindo muito baixas velocidades nas vias de acesso à cidade e sacos de lixo que levem consigo para depositar em locais apropriados, que, por sua vez podem ser ampliados, já que alguns realmente estão a disposição.
Bolas! Que saiam mais cedo de suas casas (aqueles que trabalham) e que olhem com atenção as maravilhas deste lugar (aqueles que visitam Espírito Santo do Dourado). Para isso precisam dirigir bem devagar, senão perdem lances como os Jacus que estavam na beira da pista, tratando de seu filhote, hoje de manhã, enquanto eu corria (a pé, claro).
Para aqueles que achavam que só falo do bom e melhor, por que vivo em um paraíso, sinto desaponta-los.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Bom ano novo!
Último dia do ano! A chuva arrefeceu...
A fazer, nada de especial. Acordamos cedo, uma vez que ontem dormimos cedo. Café da manhã usual; alguns exercícios físicos; Vania começou a preparar uma petição inicial com pedidos de ressarcimento por dano moral a sua cliente.
Eu e Kelly Lulu Star fomos correr lá em baixo na rodovia, como de costume. Na ida passamos por uns casais de bugios com seus filhotes enroscados no peito, nas costas e nos galhos das árvores. Fico em silêncio, enquanto eles reclamam muito, talvez dos latidos de Kelly. Ato contínuo, se escondem como manda o figurino dos macacos. Fazia tempo que não via bugios tão próximos da estrada e das casas! Talvez o feriado e a região em silêncio ajude a explicar o fato. Além de um bananal bastante fértil, é claro!
Mais algumas passadas e uma dupla de pica-paus de cabeça alaranjada, parecidos com o chen-chen, porém menores, comem formiga-da-umbaúba. É uma batida ritmada e seca no tronco da Umbaúba, talvez para eriçar os ânimos da pequena formiga, considerada uma das mais violentas e venenosas da mata atlântica. Já fui pego por uma dúzia delas! Como se diz por aqui, meu couro ardeu por horas, inchado e dolorido. É um perfeito consórcio entre a Umbaúba e a formiga, que protege a planta e mora em seu interior sem destruí-la; é maravilhoso!
Continuamos a corrida... Passei por um caramujo que desliza silenciosamente pela brita do asfalto. Pego-o para evitar que termine como um outro que há dias vira esmagado pelos pneus de algum carro. Me chama atenção que, em quinze anos somente tenha visto estes dois caramujos dos grandes (em geral os que vivem na serra tem pouco mais de um centímetro de diâmetro – sua casca – e três centímetros o corpo vivo). Este, pelo contrário, a parte viva tem 20 centímetros! E sua casca enche minhas mãos em concha!
Tomei a decisão de deixá-lo em em lugar estratégico para depois da corrida levá-lo para minha casa e deixá-lo bem seguro perto das minas de água.
Continuamos...
Passei por sobre uma cobra verde morta no asfalto e pensei que fiz bem em livrar o caramujo deste destino. Olhei-a penalizado. Chegara a adultice, com pelo menos quarenta centímetros de cabeça a cauda; cabeça inocente, sem aquelas formas das temíveis jararaca e cascavel. Resolvera se aventurar do outro lado da rodovia! Talvez tenha feito isso por toda uma vida antes desta manhã fatídica.
Subimos a serra até próximo do bar do Ademir, alguns quilômetros depois e serra acima... Voltamos correndo devagar para eu achar o caramujo. Peguei-o na mão e o virei de “pernas” para o ar facilitando seu transporte. Encolheu suas antenas e o farto “bigode”, limbentos. Ao subir por um atalho que ladeia o cafezal fui seguido por umas gralhas de rabo branco desconfiadas que fossemos mexer com seus filhotes escondidos nas amoreiras.
Chegamos, mostrei para Vania meu achado, interrompendo sua petição, e fui deixar o caramujo em lugar seguro. Antes disso, Gabi, Rabicho e Soneca foram verificar de que se tratava; cheiraram longamente o bicho e desistiram de considera-lo uma caça. Assisti tudo um pouco tenso, mas como Kelly não tinha tido nenhum interesse, presumi que assim seria com os outros. Mas Gabi ainda é uma filhote e bem poderia se empolgar.
Quando disse a Vania que descreveria a manhã deste último dia, como um dia comum, por aqui, fiquei com a sensação de que poderia ser considerado não tão comum assim. Mas é a pura verdade! Essas coisas acontecem por aqui e não são extraordinárias.
Espero que o ano de 2010 continue assim: comum, sem grandes surpresas; Vania com muitas petições e eu podendo correr serra acima na manhã de cada dia que se apresentar.
A fazer, nada de especial. Acordamos cedo, uma vez que ontem dormimos cedo. Café da manhã usual; alguns exercícios físicos; Vania começou a preparar uma petição inicial com pedidos de ressarcimento por dano moral a sua cliente.
Eu e Kelly Lulu Star fomos correr lá em baixo na rodovia, como de costume. Na ida passamos por uns casais de bugios com seus filhotes enroscados no peito, nas costas e nos galhos das árvores. Fico em silêncio, enquanto eles reclamam muito, talvez dos latidos de Kelly. Ato contínuo, se escondem como manda o figurino dos macacos. Fazia tempo que não via bugios tão próximos da estrada e das casas! Talvez o feriado e a região em silêncio ajude a explicar o fato. Além de um bananal bastante fértil, é claro!
Mais algumas passadas e uma dupla de pica-paus de cabeça alaranjada, parecidos com o chen-chen, porém menores, comem formiga-da-umbaúba. É uma batida ritmada e seca no tronco da Umbaúba, talvez para eriçar os ânimos da pequena formiga, considerada uma das mais violentas e venenosas da mata atlântica. Já fui pego por uma dúzia delas! Como se diz por aqui, meu couro ardeu por horas, inchado e dolorido. É um perfeito consórcio entre a Umbaúba e a formiga, que protege a planta e mora em seu interior sem destruí-la; é maravilhoso!
Continuamos a corrida... Passei por um caramujo que desliza silenciosamente pela brita do asfalto. Pego-o para evitar que termine como um outro que há dias vira esmagado pelos pneus de algum carro. Me chama atenção que, em quinze anos somente tenha visto estes dois caramujos dos grandes (em geral os que vivem na serra tem pouco mais de um centímetro de diâmetro – sua casca – e três centímetros o corpo vivo). Este, pelo contrário, a parte viva tem 20 centímetros! E sua casca enche minhas mãos em concha!
Tomei a decisão de deixá-lo em em lugar estratégico para depois da corrida levá-lo para minha casa e deixá-lo bem seguro perto das minas de água.
Continuamos...
Passei por sobre uma cobra verde morta no asfalto e pensei que fiz bem em livrar o caramujo deste destino. Olhei-a penalizado. Chegara a adultice, com pelo menos quarenta centímetros de cabeça a cauda; cabeça inocente, sem aquelas formas das temíveis jararaca e cascavel. Resolvera se aventurar do outro lado da rodovia! Talvez tenha feito isso por toda uma vida antes desta manhã fatídica.
Subimos a serra até próximo do bar do Ademir, alguns quilômetros depois e serra acima... Voltamos correndo devagar para eu achar o caramujo. Peguei-o na mão e o virei de “pernas” para o ar facilitando seu transporte. Encolheu suas antenas e o farto “bigode”, limbentos. Ao subir por um atalho que ladeia o cafezal fui seguido por umas gralhas de rabo branco desconfiadas que fossemos mexer com seus filhotes escondidos nas amoreiras.
Chegamos, mostrei para Vania meu achado, interrompendo sua petição, e fui deixar o caramujo em lugar seguro. Antes disso, Gabi, Rabicho e Soneca foram verificar de que se tratava; cheiraram longamente o bicho e desistiram de considera-lo uma caça. Assisti tudo um pouco tenso, mas como Kelly não tinha tido nenhum interesse, presumi que assim seria com os outros. Mas Gabi ainda é uma filhote e bem poderia se empolgar.
Quando disse a Vania que descreveria a manhã deste último dia, como um dia comum, por aqui, fiquei com a sensação de que poderia ser considerado não tão comum assim. Mas é a pura verdade! Essas coisas acontecem por aqui e não são extraordinárias.
Espero que o ano de 2010 continue assim: comum, sem grandes surpresas; Vania com muitas petições e eu podendo correr serra acima na manhã de cada dia que se apresentar.
Para os que me lêem um grande e extraordinariamente bom ano novo!
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
As chuvas de Natal e os novos ventos da serra!
Chove! Como sempre choveu por aqui nos dias próximos do Natal! Época boa para descanso, terapia do sono e retiro do azáfama das cidades, seja São Paulo ou Pouso Alegre. E para ouvir o som do vento! Pois é! Dias atrás me dei conta de que estava ouvindo um susurro diferente vindo do cimo da serra. Era coisa nova! Nada de abelhas fazendo enxameação ou algum avião distante com seu ronco surdo. Tratava-se do som das árvores da serra! Foi emocionante, tocante mesmo. Para um desavisado isso parece meio sem cabimento, mas deixe-me explicar.
Há anos espero por esse acontecimento, coisa que ocorre apenas e tão somente se as árvores tem um tamanho adequado - grande o suficiente para ter copas folhosas e de bom diâmetro, além de canelas compridas sustentando suas saias verdes. Quando aqui desembarcamos, em 1993, podia se ver, de longe o tapete aveludado das pastagens; bonito, mas desértico. Apenas alqueires de capim para o gado pastando silentes e calmos. Nestes anos a vida floresceu por aqui. Plantamos milhares de árvores e deixamos alqueires de mata nativa e ciliar, bem como plantamos fruteiras por todo o terreno - para nós e os bichos que a cada dia migram para cá.
Agora, depois de uma espera longa e ansiosa, já podemos ouvir o roçar poderoso do vento nas longas pernas das árvores! Só os deuses podem saber com que intenções! Suponho que boas, mas posso mesmo garantir que de minha parte a coisa vai bem.
O Natal se foi, a chuva deu uma pausa e agora é continuar a obra da natureza, melhor dito, deixarmos que ela erga mais e mais suas grandes guardiãs verdes ao sopro do vento.
Aos amigos daqui e de lá, muitas paisagens bonitas! Encher os olhos do belo é o que desejo a todos!
Há anos espero por esse acontecimento, coisa que ocorre apenas e tão somente se as árvores tem um tamanho adequado - grande o suficiente para ter copas folhosas e de bom diâmetro, além de canelas compridas sustentando suas saias verdes. Quando aqui desembarcamos, em 1993, podia se ver, de longe o tapete aveludado das pastagens; bonito, mas desértico. Apenas alqueires de capim para o gado pastando silentes e calmos. Nestes anos a vida floresceu por aqui. Plantamos milhares de árvores e deixamos alqueires de mata nativa e ciliar, bem como plantamos fruteiras por todo o terreno - para nós e os bichos que a cada dia migram para cá.
Agora, depois de uma espera longa e ansiosa, já podemos ouvir o roçar poderoso do vento nas longas pernas das árvores! Só os deuses podem saber com que intenções! Suponho que boas, mas posso mesmo garantir que de minha parte a coisa vai bem.
O Natal se foi, a chuva deu uma pausa e agora é continuar a obra da natureza, melhor dito, deixarmos que ela erga mais e mais suas grandes guardiãs verdes ao sopro do vento.
Aos amigos daqui e de lá, muitas paisagens bonitas! Encher os olhos do belo é o que desejo a todos!
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