segunda-feira, 3 de agosto de 2009
O Taj Mahal e os mourões do Cervo!
sábado, 1 de agosto de 2009
O pomar e as chuvas de inverno!
Não significa que não tenhamos que usar nosso tempo, com administração e comedimento para nossa vida de moradores nos bosques. Além disso, surgem certas acontescências muito próprias da vida no campo. Como exemplo, as chuvas que não eram previstas para a época, nos farão ter que repassar a roçadeira bem antes do previsto, por volta de fim de setembro. A previsão era para novembro, com as primeiras chuvas fortes. Enfim, ficamos com o dobro do trabalho para o período. Também teremos que fazer certos consertos de telhado só depois de uma estiagem de duas semanas (se ela vier); e fazer em agosto, quando faríamos em setembro.
Ps.: Relendo "A Náusea" no http://www.levileonel.blogspot.com
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Inverno chuvoso em São Paulo!
sábado, 25 de julho de 2009
O Teatro Municipal de Pouso Alegre e o pousoalegrense!
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Bíos e Zoé!
terça-feira, 21 de julho de 2009
Em São Paulo cada um para seu norte!
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Monte Santo de Minas!
À tarde, após o almoço, fui ao Museu pesquisar jornais da cidade entre 1967 e 72, onde haviam notícias do dia em que Pouso Alegre se revoltou com o projeto de venda do teatro municipal para um banco. Isso provavelmente fará parte de minha pesquisa sobre aquele patrimônio histórico.
Sábado, foi um dia mergulhado em livros os mais diversos, buscando o melhor jeito de apresentar a importância do teatro para a identidade do sujeito pousoalegrense. De oito da manhã até 22 horas, interrompido apenas pelo almoço frugal e algum alongamento para relaxar as costas e os olhos. De princípio me sinto andando com o texto... mas, não dá para dizer que ele dá conta do projeto. Falta ainda um bom caminho!
Anteontem, domingo, decidimos vir a Monte Santo de Minas para fazer pagamentos de algumas contas relacionadas com o sítio de Dona Vilma e fazer a manutenção geral, usando roçadeira, capina e podas necessárias para que o lugar fique apresentável, já que queremos vendê-lo o mais cedo possível (publiquei fotos do Sítio do Mandú recentemente). É um pequena viagem de 250 quilômetros, e mais algumas horas de trabalho até ontem, por volta das duas da tarde. Depois, foi só voltar, ansiosos por ter deixado nossa trupe de cachorros sozinhos, o que não é hábito. O Chefinho cuidou de tudo na nossa ausência, e que Gabi aguentou bem a ansiedade de ficar longe de nossa proteção! Resumindo, cuidamos do sítio Estância Olhos D'Água que reformamos para venda. Belíssimo, bem localizado no sudoeste de Minas, água pura e abundante, lago de peixes, mata ciliar etc. Terra natal de Vania, lugar que um dia já esteve sob as águas de algum mar ou oceano, a julgar pela geologia característica.
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Vó Pina e o assento cinza (azul?)!
E eu: "É sim, Vó Pina!" Pensando se entro na campanha dela para abolir-se os indefectíveis assentos azuis (cinzas?). Aí tive uma iluminação.., uma fulguração.., como dizia Sartre. Vamos pintar todos os assentos de azul (cinza?)!!!
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Casacos e andrajos!
terça-feira, 14 de julho de 2009
As costas da serpente e o ventre do ônibus!
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Inverno úmido e quente! Que surpresa!
Domingo, depois da corrida, plantamos dois pés de jabuticabas, colhi uma jaca (nas fotos), um cacho de banana ouro, terminei a arrumação hidráulica da horta, transpus cavalinhas de um lugar inóspito para a horta; Vania podou uma buganvile que nos impedia de passar em direção ao pomar, carpiu o entorno das roseiras, cuidou de dar formato aos canteiros. Depois afiei as foices, enxadas e facões que serão usados na roçada da semana. Pus a arder a lenha do fogão e com a trempe quente coloquei a assar cinco jogos de coxa e sobrecoxa de frango. Trata-se de colocar algumas peças de tijolo que criam um vão de um palmo acima da trempe aquecida pelas achas. É uma maneira improvisada de assar sem ser direto no calor da brasa; o calor, deste modo, se distribui uniformemente e a carne termina de assar simultaneamente. Fazemos isso um ou dois finais de semana por mês, comendo um jogo cada um no almoço de sábado ou domingo e depois guardamos na geladeira os outros. Nos dois ou três dias seguintes aquecemos um jogo cada e só cuidamos do acompanhamento a base de caldos de legumes, saladas com itens diversos – todos da horta - e arroz integral, sementes de linhaça, especiarias etc. Não devo esquecer os dois coffee-breaks que se tornaram a especialidade da casa, ou de Vania, o que dá na mesmo: no meio da manhã ela prepara um creme a base de suco de laranja pera, bahia, nativa ou tipo pingo de mel, com duas ameixas, linhaça; o segundo, no meio da tarde, com suco de laranjas de vários sabores com mexericas variadas e algo para comer. Ao anoitecer, quase sempre, faço um café com queijos, goiabada cascão e biscoitos. Mais tarde comemos um mini-lanche com chás aromáticos. De fato só fazemos uma refeição, o almoço, ao estilo mediterrâneo, quase sempre acompanhado de uma pequenina dose de bebida alcoólica de boa procedência, vinho preferencialmente. Mas pode ser cachaça, conhaque etc.Bem, terminamos o dia lendo e escrevendo...
sexta-feira, 10 de julho de 2009
A Abelha e o Dentista!
Hoje, em PA, comecei pelo dentista, e todo aquele confortável sentimento de que estou cuidando da saúde e o desconforto de picadas para anestesia, forçamento da boca para que satisfaça as necessidades dos procedimentos etc etc. Felizmente o primeiro é bem mais duradouro do que o segundo! Depois, uma série de problemas a resolver: internet que funcione na serra; algumas emendas com rosca de três quartos para mangueiras de irrigação da horta; encomendar mudas de uvas e jaracatiás; gasolina para a roçadeira; cortar cabelo; biblioteca da Universidade do Vale do Sapucaí; Museu Municipal, Conselho de Psicologia, Atendimentos... Depois, numa lan house, verifiquei e-mails, orkut e coloquei algumas frases que me interessaram na leitura da semana, no blog http://www.levileonel.blogspot.com/
terça-feira, 7 de julho de 2009
Ônibus e leitura combinam!
Também gravo ou escrevo um ou outro pensamento sobre textos, sessões de terapia, cuidados com o sítio, a quem devo ligar, mensagens a algumas pessoas que o solicitam etc. Sem esquecer, é claro, que são pelo menos duas horas de leitura sem interrupções (a viagem acontece em três horas de rodoviária a rodoviária). Ao chegar em SP, tinha lido a primeira parte de Privação e delinquência, de D. W. Winnicott, sobre as motivações inconscientes da violência, do roubo e outras atitudes anti-sociais. São leituras que já fiz em 1995, num curso de psicologia e, depois, durante uma longa supervisão de Rahel Boraks. Agora que estou para realizar um curso sobre as tendências anti-sociais, me vi na obrigação de rever cada um dos pontos onde o autor finca sua teoria. A obrigação se revelou, mais uma vez, uma grata satisfação! Resumo, até o final de semana, suas principais elocubrações no blog http://www.levileonel.blogspot.com/ conforme combinado com quem tem interesse em acompanhar minha leitura.
Hoje, ante-véspera de feriado em São Paulo, me fez chegar um pouco antes para compensar as horas da quinta que não trabalharei.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
AAEcoMinas e o Recanto das Orquídeas!
Para finalizar o domingo, li um pouco mais de “Vida e Criação de Abelhas Indígenas sem Ferrão” e V. foi controlar formigas saúva e quenquen, um combate diário e paciencioso, pois vencê-las jamais. Estamos providenciando gergelim para espantá-las; segundo algumas pesquisas elas odeiam o fungo que produzem. Estamos pagando para ver...
Hoje podei as videiras de mesa, Itália rosa e branca, Moscatel e outras, Retirei do chão mourões já apodrecidos, aplanei o chão e retirei, a base de enxadão, tocos de assapeixes, que roçamos a foice no começo do ano, no final das águas. Exaustos, almoçamos e fomos a PA para uma reunião da AAEcoMinas, à biblioteca da UNIVÁS e ao supermercado para comprar as provisões da semana.
sábado, 4 de julho de 2009
O Rabicho e a dissertação!
Anteontem, quinta, saí de São Paulo com o tempo mudando; uma cálida manhã passou a uma tarde fria e úmida; ao chegar em Espírito Santo do Dourado a temperatura estava ainda mais baixa! Já sei que sempre se conta menos quatro graus que São Paulo, mas desta vez o contraste passou dos dez. Ao chegar em PA, como de costume, fui até o estacionamento da rodoviária, por volta das vinte e duas horas, e lá encontro Vania com o Rabicho, o único dos cães que se atreve a entrar no carro. Na verdade, ele sente grande prazer nisso! Já conhece todas as palmeiras, postes, lixeiras e alambrados disponíveis para uma mijadinha de demarcação de seu território. V. fica ali, pacienciosamente esperando que ele entre no carro (eu idem), para que voltemos todos para casa. Mas o cãozinho tem todo um ritual que inclui ir e vir, girar sobre os calcanhares e erguer uma perna na ida e depois a outra na volta. Uma gotícula de líquido molha um capim mais saliente, depois uma casca rústica de uma árvore.
Como o Rabicho é dirigido principalmente pelo nariz, ao chegar perto do carro o chamo e ele vai na direção das mais diversas pessoas, olhando atentamente no rosto, pra identificar o amigo que tanto adora. Às vezes quase me ofendo com sua incapacidade para me identificar de longe! Não raro, com aquela carinha boba, aquele nariz preto e fino, fica olhando uma mulher tentando ver se não sou eu. Nem mesmo meu sexo ele sabe! Me justifico, já que com ele este argumento seria inútil, que os seres humanos mudam tanto de uma hora para outra, usando roupa, óculos, penduricalhos nas orelhas, cobertura na cabeça, que só resta-lhe confiar em algum traço do nariz, um naco da boca, uns fios de barba e cabelo, um jeito de andar, para se convencer de que conhece quem lhe chama. Então o perdôo por quase nunca saber quem sou eu no meio de outras pessoas. Quando ele se convence de que eu sou eu mesmo, aí é uma festa! Abana o rabo... não, chicoteia o rabo com tal vigor que o corpo todo é usado nesse movimento! Depois se distrai mais um pouco com os postes e flores.
Me esqueci do tempo! Enfim, acho que falava do tempo porque neste momento chove forte e é algo que jamais aconteceu em julho desde que aqui chegamos, quinze anos atrás. É aconchegante, mas um pouco estranho. V. também acha, mas não perdeu tempo e plantou alguns caroços, já brotados, de abacate, nos limites da propriedade, mais precisamente nas terras do vizinho sul, que, aconselhado por nós, deixou uma pequena reserva à volta de suas nascentes. É justamente nesta reserva que V. colocou as sementes em berço esplêndido “para tratar dos bichos que são tímidos demais para virem comer perto de casa!” A chuva aguou o suficiente para os próximos dez dias... (Na foto, a esquerda, nosso heroizinho preto com Vania fazendo suas inspeções diárias no corpinho de Gabi; atrás, partes do Soneca Golden Boss)
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Pernas, prá que vos quero?!
Ao fundo canto de um casal de siriemas!
terça-feira, 30 de junho de 2009
Deus x EUA!
Mas tem algo que me incomoda profundamente, cada vez mais se repetindo, nestas tentativas de me divertir com o time brasileiro. É que não mais tenho certeza de que estou torcendo por um time de futebol, ou por uma seita cristã em cruzada contra outras seitas cristãs. Desta feita, quando um tal de Lucio marcou seu gol eu não soube se devia admirar sua arte, seu talento no esporte, ou devia desconsiderar o show de controle, a técnica admirável, a precisão absurda, o senso de oportunidade, e cair de joelhos pelo talento de um certo Cristo ou Deus que dirigiram sua cabeça para o feito. Fiquei sem saber se os americanos tiveram menos fé em Deus e por isso foram castigados pela insolência perdendo a partida, no último dia do certame (xi! Isso também está fora de moda; é do tempo do Silvio Luiz!). Ou talvez não soubessem que Deus estava do lado dos brasileiros e seu único destino era o fracasso. Quase me senti ofendido por não me avisarem que competição se tratava. Fiquei longamente em silêncio, olhando aquela manifestação midiática, de uma convicção íntima imposta ao mundo todo; mesmo quem não é cristão ou é ateu, teve que engolir aquela grosseria se quisesse se divertir com sua seleção. Como os não-cristãos ou os cristãos de outras seitas, poderão assistir um jogo laico, pela bandeira do país, e demonstrar seu apreço pelos seus heróis? Afinal, eu assisti uma partida de futebol entre duas seleções de países diferentes se digladiando desportivamente ou dois partidos religiosos provando sua fé à base de chutes na rede do time ímpio? É, no mínimo uma competição de mau gosto, desrespeitosa e deselegante. Gostaria de ser poupado do engôdo de estar torcendo por uma cruzada cristã ao invés de me emocionar com a competição esportiva entre dois times. Me sinto ridículo no final do jogo, sem saber qual era o fim do jogo; qual era o gozo a que devia meu alívio final; a quem deveria brindar?
Fico me perguntando se aquelas camisas com palavras de ordem apareceriam se o time brasileiro tivesse perdido. Um tal de Kaká não agradeceria a Deus por ter perdido a partida? Teria o topete de não mostrar a camisa escrita, desobedecendo seu Deus, achando que o resultado não seria digno de ser inscrito no corpo. Vou dizer! Não sei de que matéria é feita essa turma dos escritos religiosos no corpo; desconfio que desrespeito e deselegância para com o país, trocando uma competição por outra – a esportiva pela religiosa. Bem, como sou torcedor de copa, só daqui doze meses terei que passar por essa bizarrice para ver um bom espetáculo de futebol. Até lá terei esquecido, creio. Neste quesito os americanos deram um show de respeito esportivo! Nenhuma inscrição, que eu tenha visto, que enganasse o telespectador (se bem que perderam, nunca saberemos que inscrições escondiam na manga!).
Ah! Antes de encerrar... Claro que os kakás, lucios, robinhos e outros tem o direito de agradecer a um deus etc, mas eles devem admitir que fica muito difícil imaginar o outro time agradecendo a Deus por ter perdido. Quem perde faz o que com essa informação: “Graças a Deus vencemos!” Devo entender que graças a Deus o outro perdeu? Pelo ridículo da situação preferiria que os jogadores agradecessem em suas igrejas. No campo, só homenagens a sua nação. Por favor, dediquem suas vitórias à nós os brasileiros! O deus de vocês não representa toda a diversidade de crenças do Brasil.
domingo, 28 de junho de 2009
O dia em que Gabi chegou em nossas vidas!

Primeira foto a chuva que se aproximava; segunda Gabi, no dia em que chegou em casa; e as seguintes Gabi hoje.
Há mês e pouco, já o disse aqui, V. e eu, num domingo de manhã, fomos fazer uma visita ao Zé Luiz e Vanderléia, no sopé da serra. Ao voltarmos catei alguns lixos entre latas de cerveja, sacos e garrafas plásticas, que “enfeitavam” a estrada que liga E. S. do Dourado ao Cervo e me dirigi para uma lixeira que nós mesmos colocamos ao chegar na região, quinze anos atrás. Trata-se de um latão de duzentos litros, preso a uma viga enterrada no solo, que fica bem na esquina formada pela estrada asfaltada e a estradinha de terra que vai dar em nossa propriedade. Ainda reclamava da insanidade das pessoas que sujam sua própria casa, rabugento por alguém fazer do mundo um grande aterro sanitário a céu aberto, quando ouvi um grito de Vania, já meu conhecido. É um daqueles sons que, no modo dela dizer, saem de seu corpo sem nenhum aviso – uma mistura de espanto, surpresa, prazer, dúvida; às vezes mais um que outro. Olhei e a vi com um cachorrinho nas mãos, de cores e aspecto que bem podia ser confundido, a certa distância, com um ouriço, um gambá, uma raposa, um gato; mas não, se tratava de um cãozinho; um filhotinho mortalmente assustado. Certamente lá estava quando descemos a serra, mas sua localização, bem atrás do latão de lixo, entremeio ao capim da mesma cor de sua pelagem, bem como sua obstinação em não se mexer, fez com que não o víssemos.
Por alguns segundos V. aninhou o bichinho no colo, pois estava frio e sua malha lhe pareceu quente e acolhedora. Imediatamente, sem refletir, decidimos que ele iria conosco. Mas havia um problema a enfrentar com delicadeza. Ele estava definido a esperar ali por seus antigos donos. Por uma lógica muito própria sabia que devia ficar ali por que fora naquele lugar que tivera a última visão de seus donos amados. V. chamou-o com sua mais doce voz, para que pudesse dar-se a desistir daquela espera infrutífera. E ele ali parado, tentando se esconder mais ainda. Tentou uma segunda vez levando-o mais alguns passos estrada acima; mesmo resultado. O filhotinho voltava amedrontado para seu nicho improvisado, deitando-se exatamente onde o deixaram na noite anterior. Víamos seu desespero, a fome na barriga encurvada, aquele nariz comprido e olhos meigos e entristecidos, olhando para nós e dizendo: “Não, não devo, ainda há esperança!”. Mas não havia... Quem o deixou fez uma delicada coleira de capim e uma pequena corda, também de capim, que fora presa por uma pedra. O intuito era óbvio; não deixar que fosse atropelado até que uma gente qualquer por ali passasse e o resgatasse. Fora o último ato de amor de seus donos. E o cãozinho ali, obstinado em esperar, com seu nariz longo e triste; as últimas esperanças por se esvair. Cedemos as evidências – o cãozinho não iria conosco espontaneamente; peguei-o no colo e descobri, erguendo seu corpinho peludo com delicadeza, que era “ela”. Ele era ela e nos pareceu mais aflitivo ainda que uma cachorrinha passasse por drama tão radical. Talvez por acharmos, com ou sem razão, que as fêmeas são mais apegadas ainda que os machos ao seu território, à casa, sabe-se lá. Depois de algum tempo, coração apertado, sem sucesso com nossos incentivos, com meus melhores gestos, retirei-lhe devagar a coleira improvisada – o último carinho, a última onda de cheiros de seu dono. Mijou de medo, olhando para o latão de lixo e o matinho tão seguro, embora pouco promissor. Acho que me odiou, naquele momento. Eu era a pior coisa que podia lhe acontecer... Resolutamente, ainda que pesando seu desespero, decidimos ir embora, e ela encolhendo as orelhas, revoluteando em meu colo, tímida, triste, triste, sabendo que não podia sair dali... Se esforça por descer e voltar ao matinho que era sua referência de vida. E eu, vem com a gente, que temos comidinha!, passando muito devagar as mãos sobre sua lanugem para não assusta-la ainda mais. Disse, filhotinho, você deve preparar-se para uma nova vida, por que a que teve até agora nunca mais viverá. Mais para mim mesmo do que para ela. Sabia que não alcançava nada do que dizia. Sabia que fora amada, cuidada, mas agora chegara a hora de tomar outros destinos. Esperei, naquele momento, que pudéssemos dar uma vida que fosse condizente com ela. Talvez a Serra do Cervo viesse a se tornar um lugar onde pudesse edificar seu corpinho e desvelar todos seus potenciais...
No mesmo instante, antecipando todas as horas de preocupações, cuidados e prazeres, que a filhotinha nos daria, Vania inspecionou-lhe as orelhas e pelagem e chegou a conclusão de que não havia doenças, pulgas ou sujeiras. Seus antigos donos banharam-na, pentearam-na e a alimentaram, como um meio de garantir que alguém se seduzisse por ela!
De jeito nenhum aprovamos que se soltem filhotinhos, nas estradas e ruas de cidades; até mesmo achamos que se deve punir a irresponsabilidade dessa prática-crime, prevista na lei. Achamos, por uma lógica nossa, que os mesmos que jogam lixo na rua emporcalhando o mundo, são os que descuidam dos bichos que dizem amar. Pode não ser uma lógica rigorosa, mas, futuramente, ao contar a saga do Rabicho e do Soneca, espero demonstrar uma das maneiras mais comuns de como isso se dá.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Grapefruit! (toranja ou pomelo) E a goiabeira!
Um melhor destino para a goiabeira!
Enquanto eu estava em São Paulo, Vania cuidou de melhorar a vida de algumas árvores. Das cabeludinhas, amoreiras, anoneiras, tamarindeiros e, claro, de uma goiabeira em particular, que estava condenada a morrer, por ataque das brocas. No ano passado, enquanto estávamos em SC ela deitou-se de lado para descansar da anemia que a acometeu. Por um desses combates entre espécies, as brocas foram derrotadas e bateram em retirada em direção aos limoeiros e laranjeiras. A goiabeira com parte de suas raízes ainda vivas, vinha conseguindo, verdade que a duras penas, brotar umas folhinhas bem verdes, aqui e ali, em seus galhos de mármore róseo. Essa teimosia foi recompensada com a serra de seus galhos já mortos, limpeza do chão e a chega de material orgânico em suas raízes, escondendo-as dentro do chão. “Isso vai virar doce, suco de goiaba e creme para acompanhar os assados no fogão a lenha!” comentou V. apontando para um filhote de goiaba já deslizando pelo vão de um dos brotos. Acho que sua premonição tem toda a chance de acontecer!
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Surfando uma onda de ombros!
Olho para frente e vejo uma onda de massas arredondadas, formando ombros, encimadas por globos cranianos com uma profusão de cabelos alinhados, desalinhados, crespos, lisos, ondulados. Aquela movimentação para-lá-para-cá, compassada, de acordo com um passo ladeando para a esquerda, de acordo com outro para direita, formando uma onda, mais ou menos organizada. Do alto dos meus cento e sessenta e três centímetros, fora sapatos, posso ver umas caixas cranianas privilegiadas que flutuam a cerca de trinta centímetros da massa, surfando uma onda de cabeças e ombros que deslizam para lá, deslizam para cá, todo mundo tentando ver o que acontece. Algumas bem humoradas cabeças sacam seus celulares e brotam braços que se erguem acima das cabeças flutuantes, até mesmo daqueles que surfam nossas cabeças rentes a seus sovacos, e clicam. Talvez esperem mostrar para sobrinhos, filhos, netos como foi o dia. Um certo clicador me pareceu tentar uma foto artística; outro, uma foto para o patrão!
Uma voz masculina, compassada, clara, timbre audível, estilhaça o relativo silêncio: O SERVIÇO ENTRE LIBERDADE E SÉ FOI NORMALIZADO! AGRADECEMOS SUA COMPREENSÃO! Ninguém parecia ter ouvido! Nenhuma reação. Apenas um sujeito, destes cujo mau-humor é sempre uma lufada de ar fresco: OBRIGADO SENHOR! FICO MUITO TOCADO POR SUA CONSIDERAÇÃO! (olhando o relógio e meneando a cabeça).
A onda continua, as cabeças bem localizadas surfando as nossas. De repente uma cabeça que repousa em uns ombros de metro e meio tenta furar a onda! Um daqueles ombros gigantes, com cabeças grandes, volta-se lentamente, fixa os olhos castanhos nos olhos do pequeno ser lá embaixo, manda-lhe um raio de fúria contida e esfacela as pretensões do baixinho. Tudo volta a normalidade. A onda continuou sem surpresas e passou pelas catracas deslizando para baixo da terra...