Final de semana de Ulisses em Ítaca depois de exaustiva semana; ou de Jasão ao recuperar o velocino de ouro. Vania e eu estávamos exaustos! Deixei a roçadeira de lado e me dediquei a ler, escrever e cuidar de tarefas domésticas. Ontem, logo de manhã, para variar, corri na estrada com Kelly Lulu. Corrida curta para descanso geral e tensão mínima dos músculos. Mas começou mal! Foi sair na estrada e nem correra vinte metros já passei pelos sentimentos que apresentei na blogagem dos dias 10, 15 e 16 de janeiro de 2010, onde falei de atropelamento de bichos selvagens por motoristas tresloucados (não posso chamá-los por selvagens para não cometer uma injustiça com o sauá, o mico e outros bichos imolados no altar da religião do carro e do asfalto). Diria incivilizados; talvez seja o suficiente para me explicar.
Desta vez lá estava um gambá já adulto esmagado no meio da pista! Digamos que minha corrida perdeu o encanto, restando apenas uma sombra do que poderia ter sido. Prometi a mim mesmo que começarei uma campanha com o prefeito Adauto para começarmos uma conscientização que leve as pessoas a caminharem mais devagar por aqueles trechos onde sabidamente surgem animais selvagens. Talvez a implantação de placas indicando o perigo em trechos conhecidos pelo número de animais abatidos, tal como vi aos montes em Balneário Camboriú, Bombinhas e outras cidades litorâneas de Santa Catarina. Parece que todos os incivilizados para lá foram, a julgar pelo numero de placas fincadas na estradas vicinais avisando que aqueles locais são "povoados" por animais selvagens, pedindo que baixem a velocidade para preservá-los.
Mas será leda ilusão se acreditarmos que em Espírito Santo do Dourado não há placas por causa da civilidade de seus habitantes e dos que para lá afluem nos finais de semana (momento em que se mata mais!). Como frequento quase que diariamente a estrada, sou testemunha de manobras arriscadas de pessoas que fazem as curvas em alta velocidade ao ponto dos pneus "gritarem" na brita. "Seu" Antônio e seus filhos também testemunham isso: moram mais abaixo e entre duas curvas na via. Ouvem diariamente a insanidade dos motoristas derrapando no asfalto, indiferentes até a própria saúde. Como exemplo, um dia ouvimos um estrondo espantoso exatamente na curva acima de sua casa, a metros de onde achei mortos gambá, sauá, sagui, cobras, camambevas, urubus, caracóis etc. Tratava-se, para nossa surpresa, de um caminhão cujo motorista desceu a serra aloucado e perdeu a mão. Arrebentou cerca de arame e alguns mourões e foi parar trinta metros abaixo no pasto. Para sua sorte o pasto cerrado e pequenas árvores seguraram o veículo, minimizando os ferimentos nos corpos do motorista e do carona. Por pouco não fora uma tragédia, acrescentando-se mais uma cruz ao acervo delas à beira da estrada.
Se não fizermos alguma coisa logo e a belíssima estrada, com sua paisagem deslumbrante, servirá apenas como enfeite de cruzes melancólicas e de paisagem para memórias doloridas de sobreviventes inocentes. E não falo poeticamente aqui, de animais selvagens. Se antes me preocupava os animais, agora já me preocupa o bicho-gente!
(A data das fotos não confere, mas trata-se apenas de manejo inadequado da função "data" e "hora"; trata-se de uma câmera sem função de data e hora automática; prometo melhorar o maquinário...)